quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Na Campus Party, jornalistas discutem o papel das Redes Sociais na imprensa

Facebook, Twitter e outras redes sociais estão mudando a forma como a mídia se relaciona com os leitores
Da esquerda para a direita: Demi Getschko, Alexandre Matias, André Forastieri e Ana Brambila
Da esquerda para a direita: Demi Getschko, Alexandre Matias, André Forastieri e Ana Brambila
Você confia nas informações que você recebe pelas redes sociais? Sabia que uma das grandes tendências da mídia é cada vez mais fazer uso dessas informações? Um exemplo: a conta de Twitter de um candidato a um cargo público pode ser usada como fonte de informações sobre as atividades desse candidato. Outro exemplo mais recente é o recente desastre ocorrido no RJ – muita gente postou informações nas redes sociais e parte dessas informações foram usadas pela imprensa. Isso é extremamente positivo para a mídia na medida em que as informações se tornam mais ágeis, mas elas são confiáveis?
Esse foi o tema do debate Confiabilidade da informação nas Redes Sociais, do qual participaram os jornalistas André Forastieri – diretor de editorial da Tambor Digital, Alexandre Matias – editor do caderno Link, do Estado de S.Paulo, Ana Brambila – Editora de Mídias sociais do portal Terra e o engenheiro Demi Getschko – presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, responsável pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.
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O primeiro ponto debatido foi a diferenciação entre jornalismo e mídia social. André Forastieri aponta que “o jornalismo como a gente conhece está morrendo; ele é calcado em checagem, fontes, história...tem uma certa precisão. Já mídia é qualquer coisa, é o papo de bar, é a história que passa de boca em boca. E a mídia social tem essas características”.
Para Alexandre Matias, “o jornalismo está passando por uma transformação onde cai a fronteira entre o online e o offline. O desafio hoje é estar perto e interagir com o leitor. Mas, pelo menos por enquanto, o que dá credibilidade para um veículo ainda é o nome”.
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Um consenso entre os participantes é que pouca coisa mudou na internet, exceto as ferramentas. Demi se lembra que começou a usar a internet em 1989 “em listas de discussão como a Brasnet. A diferença entre aquela lista e o que acontece hoje no Facebook ou no Twitter é a ferramenta que é mais desenvolvida”. Para ele, a questão do debate da confiabilidade está além da questão da veracidade da informação. O que realmente importa, segundo ele, é a análise dos dados.
E esse parece outro ponto em que todos concordam. Com a quantidade de informações que circula hoje na rede é importante para os veículos que seus jornalistas tenham o bom-senso de checar suas informações e suas fontes. Nada de novo em termos jornalísticos, mas uma prática que parece estar se perdendo, segundo Ana Brambila: “O jornalista precisa checar suas fontes. No Terra, nós monitoramos mais de 1500 perfis de celebridades no Twitter todos os dias. É preciso ter certeza de que aquele perfil é realmente da celebridade”.
Ela cita um exemplo onde a sua equipe começou a desconfiar de que o perfil de Ana Maria Braga não era realmente dela. Haviam postagens no horário em que o seu programa estava sendo gravado, por exemplo. Uma ligação para a assessoria de imprensa resolveu o problema: o perfil era verdadeiro.
A internet está fechando?
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Uma preocupação recorrente entre os participantes da Campus Party (entre eles Al Gore e Tim Berners-Lee que palestraram ontem) é de que as grandes corporações e governos passem a exercer controle sobre o acesso à rede.
Demi não entende que isso seja possível: “Os modelos estão mudando e é claro que ninguém quer perder os seus negócios e privilégios. Mas não acredito que haja algo que justifique o fechamento completo. O CGI tem trabalhado para manter a internet absolutamente aberta”.
Já Forastieri entende que “o leitor precisa aprender a ter senso crítico para que consuma informação em vários lugares diferentes e crie sua própria opinião. Os geradores de conteúdo hoje dão tudo mastigado e logo vão querer cobrar por esse conteúdo. As corporações querem transformar a Internet em um grande shopping center”, alerta.
Ele continua dizendo que “a tendência dos portais é atingir as grandes massas, o mesmo público que assiste TV. Só um terço da população tem acesso à internet, o restante continua tendo a TV como maior fonte de informação e entretenimento. Isso afeta diretamente o conteúdo”.
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A grande polêmica em torno da mídia social hoje em dia gira em torno do WikiLeaks. Sites como ele, que propagam informação assim como o YouTube e outros podem ser considerados jornalísticos?
Para Ana Brambila, não. “O WilkiLeaks e outros propagadores de informação são apenas um ponto de partida. Uma fonte onde jornalistas podem pegar a informação e começar o trabalho”.






Ativista do software livre quer que cada brasileiro tenha o seu computador - Parte 03

Os números do Projeto
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Para cobrir o Brasil inteiro, com um computador para cada pessoa, estima-se que sejam necessárias 400 milhões de unidades de thin-clients e 1,3 milhão de servidores.
Para cuidar de todas essas máquinas será necessário treinar 10 mil SAs por mês durante 200 meses (10 anos). Cada SA cuidaria de aproximadamente 300 thin-clients. Cobrando US$ 6 por mês por thin-client, o SA teria uma renda mensal de US$ 1800.
Cada thin-client custaria US$ 200 para o consumidor final.
O custo atual para instalar fibra ótica em toda uma casa é de R$ 1500 – basicamente mão-de-obra. Maddog já está conversando com a Telefonica para que esse custo seja repartido entre várias construções ao mesmo tempo, para reduzir o custo da operação.
E quando tudo isso vai acontecer?
Atualmente, Maddog e a equipe do Projeto Cauã estão levantando recursos para começar a desenvolver os thin-clients e servidores. Ainda neste ano espera-se que projetos-piloto já possam ser instalados e os resultados desses primeiros testes serão publicados.
Para o ano que vem, Maddog espera estar graduando a primeira equipe de Administradores de Sistema.
Para maiores informações sobre este incrível projeto acesse www.projectcaua.org


Ativista do software livre quer que cada brasileiro tenha o seu computador - Parte 02

Tecnologia Verde
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Outra vantagem do projeto de Maddog é que os computadores causam menos impacto ambiental. Por exemplo: um computador atual consome em média 300 watts de eletricidade. Os thin-clients do projeto Cauã consumiriam meros 10 Watts, simplesmente porque não precisam de disco nem de ventilador. E justamente por não terem disco, podem ficar ligados indefinidamente, evitando o gasto extra de energia do processo.
Também são duráveis. A estimativa do projeto é que a duração média dos thin-clients seja de dez anos.
Além disso, os computadores usariam menos componentes nocivos à natureza e teriam mais partes recicláveis do que uma máquina comum.
Tecnologia brasileira e fomento econômico
Outro problema com os computadores atuais é o preço. Quase a metade do valor de um computador hoje é composta de impostos. Maddog já está em negociações com pesquisadores da USP para que o modelo do thin-client e dos servidores usados no Brasil sejam desenvolvidos aqui, usando tecnologia local.
Além melhor adaptados à nossa realidade, os computadores seriam produzidos aqui, reduzindo o custo e gerando empregos locais.
A manutenção dos equipamentos seria feita pelos Administradores de Sistema (SAs) treinados pelo projeto Cauã. A ideia é que em cada local onde haja um servidor do projeto, haja um Administrador capacitado para resolver qualquer problema ou fazer qualquer atualização necessária. Os SAs também estariam capacitados para dar consultoria aos usuários tanto no uso quanto na montagem dos equipamentos.


Ativista do software livre quer que cada brasileiro tenha o seu computador - Parte 01

John Maddog apresenta na Campus Party o Projeto Cauã que ainda prevê a cobertura wi-fi de todas as grandes cidades brasileiras e a geração de 2 milhões de empregos
John Maddog Hall é defensor do software livre e está à frente do Projeto Cauã
John Maddog Hall é defensor do software livre e está à frente do Projeto Cauã












Você sabe um pouquinho de computadores? Quer ganhar um salário de R$ 4000 mensais com tempo de sobra para gerar até mais R$ 4000 de renda extra? Isso parece uma daquelas propagandas mandadas por email ou coladas em pontos de ônibus na cidade, mas é como o carismático John Maddog Hall começou sua palestra na Campus Party. Maddog é um conhecido defensor do software livre. É executivo da Linux International que se dedica à promoção de aplicações de software aberto. Está no Brasil para apresentar um projeto ambicioso e, à primeira vista, utópico batizado de Projeto Cauã.
O projeto envolve tanto software quanto hardware e foi desenhado com dois objetivos: gerar empregos para pessoas interessadas em se tornarem administradores de sistemas e literalmente transformar o modo como os habitantes de grandes cidades no Brasil e na América Latina acessam a Internet.
Os pontos principais do projeto envolvem computadores fáceis de usar (que ele chama de thin-clients) e mais amigáveis com o meio-ambiente – com menor consumo de energia, mais duráveis e com partes recicláveis; acesso WiFi gratuito nas grandes áreas urbanas e supercomputação gratuita ou a baixo custo ao alcance de todos; tudo isso embalado em um pacote economicamente sustentável, sem usar um centavo de dinheiro público. Por que fazer isso?
Um dos pilares do projeto está na inclusão digital em duas frentes. Para Maddog, os computadores de hoje são muito difíceis de serem usados e pouco confiáveis e a cada falha dinheiro é perdido tanto para empresas quanto para pessoas. A frustação de não saber lidar com esses erros faz muita gente desistir de usar os computadores – pense nos seus pais ou nos seus avós tentando lidar com um travamento.
Isso seria resolvido com duas soluções: construir computadores mais simples e confiáveis, além de treinar e capacitar pessoas para resolverem rapidamente possíveis problemas e para ajudarem aos que mais tem dificuldade de lidar com a máquina.
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A estrutura sonhada por Maddog é digna de um filme de ficção científica.
Servidores de baixo custo desenvolvidos especialmente para serem mais duráveis e econômicos seriam instalados em todos os prédios das grandes cidades. Essas máquinas serviriam ao mesmo tempo como banco de dados e fonte de acesso à internet para todos os moradores ou condôminos do prédio – além de quartos de hotel e escritórios.
Em cada apartamento haveria um computador ligado a esse servidor. Esse computador seria a base para um centro de informações local com acesso à internet de alta velocidade (na casa dos gigabits por segundo), TV digital sem fio, Rádio e TV por IP, Telefonia por IP, controle de luzes e o que mais for possível controlar em casa com um computador.
A velocidade na internet seria tanta que haveria a possibilidade de simplesmente deixar a banda Wi-fi livre para que qualquer pessoa pudesse ter acesso à conexão em qualquer lugar da cidade. “Mas e meus dados?”, você pode perguntar.
Como o computador de casa não teria disco, todos os dados seriam criptografados e guardados no servidor. Documentos importantes que precisam ser vistos em outros lugares podem ser salvos em nuvem. É claro que a criptografia precisaria ser muito bem desenhada.


Fonte: http://tecnologia.br.msn.com/noticias/artigo.aspx?cp-documentid=27316783